sábado, 14 de abril de 2012

O Dia dos Índios e questões indígenas



Antônio Wanderley de Melo Corrêa*

       No dia 19 de abril de 1940 teve início, no México, o I Congresso Indigenista Interamericano, sendo o representante brasileiro o antropólogo Edgar Roquette Pinto.
            Por intervenção do marechal Rondon, o presidente Getúlio Vargas assinou o Decreto 5.540 de 02 de junho de 1943, determinando como o “Dia do Índio” a data de abertura daquele evento. A partir de então, os brasileiros, não-índios, passaram a comemorar a cada ano, em 19 de abril, o dia dos povos nativos do que hoje denominamos Brasil.
            A grande maioria dos grupos indígenas do Brasil não comemora o “Dia do Índio”. No entanto, a data se constitui em uma oportunidade para reivindicações, além de um momento para reconhecimento dos mesmos diante da sociedade nacional.
            Uso “os índios” e não “o índio”, pelo fato de existirem muitas etnias, cada grupo com suas especificidades físicas, históricas e culturais. Do ponto de vista antropológico é uma aberração o entendimento de que “índio é tudo igual”.
            No passado, o Brasil e a América pertenciam a eles. Após séculos de colonização, invasões, genocídios e etnocídios, a nação brasileira é fato consumado na trajetória histórica, além de reconhecida insofismavelmente interna e externamente.
            Os índios que sobreviveram, e vivem no território nacional, são integrantes da nação, são brasileiros, com direitos específicos e também sujeitos a deveres. Mesmo que alguns indigenistas e lideranças tribais pensem diferente, os índios estão sobre a tutela do Estado brasileiro, como determina a Constituição Federal.
Nos últimos anos, a questão das reservas indígenas ganhou grande espaço na comunicação social, em função da disputa jurídica no STF entre índios e fazendeiros do norte de Roraima. Um caso polêmico por implicar na retirada dos fazendeiros (arrozeiros) da área a ser demarcada e por a mesma ser localizada junto a uma fronteira internacional.
Sobre o tema Reservas Indígenas, vejamos o que diz o Artigo 231 da Constituição Federal: “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”. Os parágrafos 2º, 3º e 4º do mesmo Artigo Constitucional tratam dos interesses dos grupos indígenas e a soberania nacionais: “2º - As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nela existentes; 3º - O aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéticos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas só podem ser efetivados com autorização do Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação nos resultados da lavra, na forma da lei; 4º - As terras (...) são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis”.
            Sobre a questão da preservação das culturas dos povos indígenas, inicialmente vale a compreensão que etnocídio e aculturação não são a mesma coisa. O primeiro é a destruição da cultura de um povo pela imposição de uma outra, como sofreram os povos indígenas do Brasil e da América. Enquanto aculturação é troca e convivência recíproca entre culturas diferentes e não a supremacia de uma cultura sobre a outra. Mas a assimilação da cultura nacional pelos povos indígenas é um processo lento e inevitável, em função da sua presença avassaladora sobre eles.
Assim, os povos indígenas da América e do Brasil, em contato com as sociedades coloniais e nacionais, sofreram etnocídio e hoje sofrem uma aculturação desigual, no que se refere à troca. A assimilação da cultura nacional é fato praticamente irreversível, principalmente a cultura urbana, no que existe de bom e ruim, necessário e supérfluo: uso de roupas, hábitos alimentares, práticas esportivas, televisão e internet, vícios, apego ao dinheiro, além de crenças, o idioma e formas de organização social.
O outro lado da moeda é observado: grupos indígenas se transformando em comunidades pobres, desassistidas e sem identidade. Ou dispersos na busca de trabalho, de uma vida melhor e dos atrativos das luzes da cidade grande.
É oportuno lembrar a contrapartida, o quanto a cultura brasileira é permeada vigorosamente pelas influências indígenas, nos modos de falar e no uso de inúmeros vocábulos, nas denominações de localidades e ocorrências naturais, no artesanato, nas técnicas de produção no campo, na culinária, nos hábitos de higiene do corpo (banhos diários), nas artes e nas incontáveis manifestações do folclore.
Diversos grupos indígenas brasileiros promovem em suas aldeias, a recuperação dos hábitos e tradições originais, como forma de fortaleceram suas identidades e serem assimilados pela sociedade nacional como índios.
Quanto à atuação de ONGs e missionários junto a grupos indígenas, existem trabalhos com convicções e objetivos sinceros e meritórios, entretanto, há nesse universo, propósitos escusos, contrários aos interesses e a soberania nacionais, a exemplo de biopirataria, disseminação de idéias de não pertencimento e de completa autonomia. Nessa questão é preciso evitar opiniões e atitudes extremas, generalizando o contra ou o a favor. Jogar todos na vala comum é injustiça e insensatez, e entender que tudo é idílio e boas intenções é ingenuidade ou cumplicidade.  
A FUNAI, que é o órgão do Governo Federal com a tarefa de proteger a integridade dos grupos reconhecidos e auto-reconhecidos como índios, avançou consideravelmente na demarcação de terras indígenas e na assistência aos referidos grupos, integrada com outros Ministérios e órgãos públicos, inclusive dos estados. A FUNAI comemora o crescimento da população indígena, no território nacional, de 250 mil pessoas na década de 1980, para mais de um milhão na atualidade.
O 19 de abril é uma data comemorativa sobre os índios para a sociedade nacional. Mas, à revelia da data, os povos indígenas brasileiros vivenciam suas trajetórias históricas, há milênios e a dia após dia.

(*) Licenciado em História pela UFS e professor de História das redes públicas estadual (SEED) e municipal (SEMED/PMA).

sexta-feira, 16 de março de 2012

O Museu da Gente Sergipana*


Foto: Lícia Fábio


Francisco José Alves**

            Em novembro passado foi inaugurado, com a devida pompa e circunstância,o Museu da Gente Sergipana. A casa, conforme a publicidade, é um presente do Banco do Estado de Sergipe (BANESE) à população de Sergipe, quando o banco comemorou os seus cinqüenta anos.
            O projeto do Museu da Gente Sergipana é de autoria do celebrado especialista Marcello Dantas, o mesmo autor do Projeto do Museu da Língua Portuguesa, na capital paulista.
            O Museu se abriga no edifício que originalmente sediou o Colégio Ateneu Sergipense, inaugurado 1911. A edificação foi caprichosamente restaurada, após anos de abandono, e voltou ao fulgor dos seus começos, há cem anos atrás.
            Seguindo o conselho bíblico de conhecer a árvore pelos frutos, visitemos o museu indagando que ideia ou propósito norteou os seus idealizadores. Que mensagem, implícita ou explicita, o museu transmite?
            Visitemos, pois, a casa da gente sergipana e interpretemos os seus signos.
            Comecemos pela nominação.
O nome do Museu tem inequívoca conotação popular, mas o seu conteúdo manifesta, no fundo, evidente predileção pelas elites. Essa dicotomia entre o nome e o conteúdo fica bastante claro em alguns aspectos. Caso exemplar ocorre no módulo dedicado às personalidades, alguns figurões da história de Sergipe. No ambiente, o visitante tem a oportunidade de visualizar fotografias de personalidades e pode até mesmo “ouvi-las”. O elenco ou panteão contempla políticos, intelectuais, artistas eruditos, mas não inclui nenhuma figura oriunda do povo, à exceção de Artur Bispo do Rosário, hoje artista mundialmente reconhecido. Assim, por exemplo, o Museu esquece uma figura como o poeta João Sapateiro de Laranjeiras, entre outras personagens da chamada cultura popular.
O hiato entre o rótulo e o conteúdo evidencia-se, sobretudo no módulo dedicado aos ecossistemas. Neles, são reproduzidos imagens e sons peculiares a cada um dos meios naturais existentes em Sergipe. O visitante experimenta, pela visão e audição, a sensação de estar nesses ambientes.
            No entanto, se a natureza é fartamente exaltada, falta o protagonista. Desta forma, no módulo, em nenhum momento, comparecem os tipos socioculturais que atuam nesses biomas. Temos o cenário, mas faltam os atores, os agentes humanos. Afinal o Museu é votado à gente sergipana. É de se perguntar: onde estão os catadores de caranguejo do litoral? As colhedoras de mangaba dos tabuleiros? Os vaqueiros do nosso semi-árido? Onde estão as ceramistas de Itabaianinha e de Santana do São Francisco? Onde estão as celebradas rendeiras de Sergipe? (o Museu expõe uma peça de renda, mas nada sobre as rendeiras). Estes tipos socioculturais, entre outros, estão ausentes do Museu da Gente Sergipana.
            Também não espere o visitante do Museu encontrar, nos domínios da Casa, nada que mostre os tipos humanos freqüentes em Sergipe. Falo daquilo que os geneticistas e biólogos batizam de fenótipo, ou seja, “conjunto de características do indivíduo determinadas pelo genótipo e pelas condições ambientais”. Embora não haja um homo sergipensis, todavia encontram-se em Sergipe certos tipos físicos que dão carne e osso a sua população, a sua gente. Assim sendo, é lastimável que o visitante do Museu (insisto) da Gente Sergipana nele nada encontre dos curibocas do litoral, dos negróides do vale do Cotinguiba, ou dos “galegos” do sertão. Afinal, a gente de Sergipe tem cara, a sua população não é amorfa ou indiferenciada. Os nossos fotógrafos de hoje têm documentado essa diversidade e, antes deles, Felte Bezerra escreveu obra fundamental sobre o assunto: Etnias Sergipanas. Mas o Museu se esqueceu deles.
             De fato, o povo, no Museu da Gente Sergipana, fica muito restrito ao “folclore” enquanto a ênfase recai sobre personalidades da elite Em princípio, nada contra um museu de figurões históricos como é o caso, por exemplo, do Palácio Museu Olímpio Campos e que centra o seu material nos governantes republicanos de Sergipe. O que incomoda é a flagrante contradição entre o rótulo e o conteúdo, o prometido e o feito. O rótulo do Museu é popular, já o seu conteúdo paga alto tributo ao personalismo elitista.

(*) Jornal da Cidade, Aracaju, 11 de fevereiro de 2012. Caderno B p. 6.

(**) fjalves@infonet.com.br (do Departamento de História – UFS e do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Licenciado em História pela UFS, mestre em Antropologia pela UNB e doutor em História Social pela UFRJ)
(**) fjalves@infonet.com.br (do Departamento de História – UFS e do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Licenciado em História pela UFS, mestre em Antropologia pela UNB e doutor em História Social pela UFRJ)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Novo espaço para a Sergipanidade

Como forma de abrir possibilidades para os Pedagogos, professores de História, Geografia e Cultura sergipana e demais interessados em  conteúdos sobre Sergipe, a Faculdade São Luís de França inicia sua primeira turma de Pós-Graduação em Metodologia do Ensino dos Aspectos Sócio-Culturais Sergipanos.








As matrículas estão abertas pelo e-mail: possergipanidade@yahoo.com.br
ou pelo telefone: 3214 6300.  

coordenação do curso  Prof. Marcos Vinícius
auxiliar da coord. Adm. Cristina Guedes





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Calendário Contra o Racismo


Janeiro

05 - “Abolida” a exigência de Registro Policial para terreiros das religiões afro-brasileiras, na Bahia, em 1976.

12 - Nasceu em 1840, Silvério Gomes Pimenta, Dom Silvério, o primeiro bispo negro a entrar na Academia Brasileira de Letras.

24 - Início da Revolta dos Malês, na Bahia, em 1835.

Fevereiro

10 – Nascimento da antropóloga e filósofa Lélia Gonzalez em MG, fundadora do Movimento Negro Unificado, em 1935.

10 – Inaugurado no Terreiro do Gantois, em Salvador – BA, o Memorial Mãe Menininha, em 1992.

12 – Nascimento de Arlindo Veiga dos Santos, primeiro presidente da Frente Negra Brasileira, em Itu – SP, 1902.

Março

08 - Dia Internacional da Mulher.

14 - Nasceu Antônio de Castro Alves, o “poeta dos escravizados”, em 1847, na Fazenda Cabaceiras (BA).

21 - Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, instituído pela ONU.

Abril

04 – Morte de Martin Luther King Jr, em Memphis – Tennesse (USA), em 1968.

05 -  Nasceu o grande capoeirista Vicente Ferreira Pastinha, "Mestre Pastinha", em Salvador - BA, em 1888.

05 -  Nasceu o compositor Joaquim Maria dos Santos, Donga, no Rio de Janeiro, autor de “Pelo Telefone”, primeiro samba gravado.

15 - Nasceu o compositor do Hino à Bandeira, Antônio Francisco Braga, no Rio de Janeiro, em 1868, de origem étnico-racial negra, patrono da Academia Brasileira de Música.

23 - Nasceu Alfredo da Rocha Vianna Filho, no Rio de Janeiro, em 1897, Pixinguinha, o fundador da moderna linguagem musical brasileira.

Maio

03 - Nasceu o geógrafo Milton Santos, que revolucionou a Geografia, dando-lhe um enfoque humanista, em 1926, em Brotas de Macaúbas - BA.

13 - Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo/Assinatura da Lei Áurea

20 - Nasceu a bailarina e coreógrafa Mercedes Batista, primeira bailarina negra do Teatro Municipal, em Campos - RJ.

25 - Dia da Libertação da África, instituído pela ONU em 1972.

Junho

16 - Dia da Criança Africana.

18 - Fundação do Movimento Negro Unificado – MNU, em 1978.

24 - Nasceu João Candido Felisberto, em Rio Pardo - RS, “O Almirante Negro”, em 1890.

29 - Nascee em Salvador – BA, Gilberto Passos Gil Moreira, Gilberto Gil, cantor, compositor, integrante do movimento tropical Tropicália e ex-ministro da Cultura (1942).

Julho

05 - Morreu no Rio de Janeiro, o artista plástico sergipano Arthur Bispo do Rosário (1989).

07 - Dia Nacional de Luta Contra o Racismo.

08 - Fundação do Instituto de Pesquisas da Cultura Negra (IPCN), Rio de Janeiro em 1975.

Agosto

04 - Tombado o primeiro terreiro de candomblé do Brasil, o Casa Branca  - Ilê Axé Ia Nassô Oká pela Prefeitura de Salvador – BA, em 1982.

12 - Publicado o manifesto dos conjurados baianos da Revolta dos Alfaiates, protestando contra os impostos, a escravidão dos negros e exigindo independência e liberdade em 1798.

29 - Nasceu Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, escultor, entalhador e arquiteto, em Vila Rica (atual Ouro Preto) - MG, em 1730.      

31 - Nasceu José Gomes Filho, o Jackson do Pandeiro, em Alagoa Grande - PB, em 1919. 

Setembro

16 - Fundação da Frente Negra Brasileira, maior entidade da primeira metade do século, primeiro partido político negro, em 1931.

18 - Circulou o primeiro número do jornal A Voz da Raça, da Frente Negra Brasileira, em 1933.

18 - Decreto do Presidente Getúlio Vargas assinado para que o Brasil desenvolvesse, em relação à imigração, "as características mais convenientes de sua ascendência européia", configurando a existência do racismo velado.

22 - Libertação dos escravizados nos Estados Unidos (1862). 

Outubro

06 - Criação do Coletivo de Mulheres Negras de São Paulo, em 1983.

09 - Nasceu José do Patrocínio, abolicionista, poeta e romancista, em Campos - RJ, em 1853.

13 - Foi fundado o Teatro Experimental do Negro no Rio de Janeiro, em 1944.

16 - Desmond Mpilo Tutu, arcebispo negro anglicano da África do Sul, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, em 1984. 

Novembro

1º - Criado o Bloco Afro Ilê Ayiê, em Salvador - BA, em 1974.

04 - Assembléia Nacional do MNU  - Movimento Negro Unificado,  realizada em Salvador - BA declarou o 20 de Novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, como Dia Nacional da Consciência Negra. (1978)

08 - Mais de 100 sociólogos/as, pesquisadores/as e entidades negras encaminharam manifesto ao IBGE exigindo a inclusão do item COR no recenseamento de 1980. (1979)

20 -  Dia Nacional da Consciência Negra, instituído pelo Movimento Negro Unificado – MNU, em 1978, para lembrar a morte de Zumbi dos Palmares ocorrida em 1695.

20  - O presidente da República sancionou a Lei de autoria da senadora Benedita da Silva, incluindo Zumbi dos Palmares na galeria dos heróis nacionais, em 1996.

22 -  Revolta da Chibata, em 1910, no Rio de Janeiro, chefiada por João Candido Felisberto, o “Almirante Negro”, objetivava a abolição da chibata utilizada para castigos físicos na Marinha Brasileira. 

Dezembro

02 - Dia Nacional do Samba.

06 - Morreu aos 89 anos, João Cândido Felisberto, o "Almirante Negro", líder da Revolta da Chibata, em 1969.

10 - Dia Internacional dos Direitos Humanos.

13 - Início da Balaiada, em 1838, no Maranhão, cujos principais líderes foram: Manoel Francisco dos Anjos Ferreira e Negro Cosme.

14 - Rui Barbosa sugeriu, em 1890, “a queima de matrículas de escravizados/as, dos/as ingênuos/as, filhos/as livres de mulheres escravizadas, libertos/as Sexagenários/as”, impossibilitando a pesquisa sobre as origens dos/as afro-brasileiros/as no continente africano.

16 - Fundação do “Umkonto we Sizwe” (A Lança da Nação), braço armado do Congresso Nacional Africano (ANC - African National Congress), na luta contra o apartheid, na África do Sul, em 1960, e presidido por Nelson Mandela.



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Calendário Ambiental 2012


Janeiro
11 – Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos

Fevereiro
02 – Dia Mundial das Zonas Úmidas
06 – Dia do Agente de Defesa Ambiental

Março
01 – Dia do Turismo Ecológico
21 – Dia Nacional da Terra e Internacional da Floresta
22 – Dia Internacional da Água
23 – Dia Mundial da Meteorologia
24 – Dia da Árvore (N e NE)

Abril
07 – Dia Mundial da Saúde
16 – Dia Nacional da Conservação do Solo
19 – Dia do Índio
22 – Dia do Planeta Terra
28 – Dia da Caatinga

Maio
03 – Dia do Solo
05 – Dia Mundial do Campo
16 – Dia do Gari
25 – Dia do Trabalhador Rural
27 – Dia Mundial da Biodiversidade
29 – Dia do Geógrafo

Junho
01 – Dia Nacional de Preservação a Incêndios Florestais
03 a 08 – Semana do Meio Ambiente
05 – Dia Mundial do Meio Ambiente
17 – Dia Mundial do Controle à Desertificação e à Seca
21 – Dia do Mel
28 – Dia do Agricultor

Julho
12 – Dia do Engenheiro Florestal
17 – Dia do Protetor da Floresta
22 a 28 – Semana da Agricultura

Agosto
09 – Dia Mundial da Qualidade do Ar
14 – Dia do Combate à Poluição
27 – Dia da Limpeza Urbana

Setembro
03 – Dia do Biólogo
05 – Dia da Amazônia
19 – Dia Mundial pela Limpeza da Água
21 – Dia da Árvore
21 a 27 – Semana Nacional da Ecologia
22 – Dia Nacional de Defesa da Fauna
22 – Dia Mundial sem Carro

Outubro
04 – Dia Mundial dos Animais
05 – Dia da Ave
04 a 10 – Semana da Proteção dos Animais
15 – Dia do Professor e do Educador Ambiental

Novembro
09 – Dia do Urbanismo
24 – Dia do Rio
30 – Dia do Estatuto da Terra

Dezembro
10 – Dia Universal dos Direitos Humanos
31 – Dia da Esperança

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O Natal sem Jesus Cristo




Antônio Wanderley de Melo Corrêa*

O Natal é a festa mais tradicional dos cristãos. Comemora o nascimento de Jesus Cristo, embora os Evangelhos não citem explicitamente nenhuma data relativa ao fato. Assim, o dia 25 de dezembro é amplamente questionado por historiadores e exegetas independentes, através de indagações lógicas.
No hemisfério norte, dezembro é o mês mais próximo do inverno, logo, como pastores poderiam está pastoreando seus rebanhos naquela época do ano, ao relento, m noite fria? (Lucas 2:8)
A única referência indireta sobre o período do nascimento do Nazareno se encontra no Evangelho de Lucas (1:26): “Maria engravidou no sexto mês”. Pressupondo que o calendário de 12 meses solares já estava em vigor no Império Romano, do qual a Palestina era província anexada, em que o sexto mês é junho, somado com mais nove, que é o período da gestação humana, conclui-se que o natalício do Homem de Nazaré ocorreu em março ou abril.
Os evangelistas denominaram Jesus, simbolicamente, como “Cordeiro de Deus” (João 1:36), reforçando a tese de seu Natal no período calculado acima, em função daqueles meses terem sido, tradicionalmente, o período de maior ocorrência do nascimento de cordeiros naquela região e naquele tempo.
            Mas, como teve início a tradição da comemoração do Natal de Jesus no dia 25 de dezembro? No calendário pagão romano, naquela data, cultuava-se Mitra, o “sol invencível”, uma deidade persa assimilada pelos gregos e popularizada em Roma. A lenda divulga que aquela entidade teria nascido de uma mulher virgem. Além disso, sua festa ocorria com fartura de pão e vinho. Elementos que se relacionam com a história de Jesus: sol “eu sou a Luz do Mundo”, nascido de uma virgem e a celebração da ceia com pão e vinho.
            No I Concílio de Nicéia, ocorrido no ano 325, a cúpula da Igreja Cristã estabeleceu como data do nascimento de Jesus Cristo o 25 de dezembro, para coincidir com a festa pagã do nascimento do “sol invencível” Mitra. Uma estratégia para favorecer a aceitação do cristianismo entre os romanos pagãos.
A tradição foi mantida por parte da maioria das religiões cristãs, permanecendo, a data consagrada do natalício do Galileu o 25 de dezembro.
No período contemporâneo, com a sedimentação do capitalismo industrial a partir de meados do século XIX, as datas comemorativas tornaram-se excelentes oportunidades de estimular o aumento do consumo. Ainda mais quando se trata de uma festa na qual, tradicionalmente, são trocados presentes, numa alusão à passagem bíblica da visita dos reis magos a Jesus Cristo ainda bebê (Mateus 2:9 – 11). No entanto, a lembrança da chegada de Jesus Cristo ao mundo tem sido substituída massivamente, na sociedade de consumo, por Papai Noel.
O mito Papai Noel transformou-se no grande ícone do Natal no mundo ocidental. Hoje está praticamente espalhado pelo planeta, globalizou-se. Uma adaptação da tradição alemã e escandinava de associar São Nicolau de Mira ao Natal. Ele viveu no século IV. Diz a tradição que Nikolaus (como é escrito no alemão)  distribuía presentes para crianças pobres na noite de 24 para 25 de dezembro trajando roupa de inverno parda ou verde.
No país onde a personalidade transformou-se em mito, ele é denominado Weihnachtsmann: “Homem do Natal”; na Itália é Babbo Natale, na França Père Noël, na Inglaterra Father Christmas, em Portugal Pai Natal, nos Estados Unidos Santa Claus, na Espanha e na maioria dos países da América Latina é denominado Papá Noel.
Em 1822, o professor e poeta norte americano Clemente Clark Moore, criou o poema “Uma Visita de São Nicolau”, em que, imaginou Santa Claus viajando em um trenó puxado por renas e entrando nas casas pelas chaminés, para distribuir os presentes para a garotada.
O cartunista, também norte americano, Thomas Nast produziu uma ilustração, na edição especial de Natal da revista Harper’s Weeklys, em 1886, representando Santa Claus com roupas vermelhas e brancas, as cores predominantes da bandeira daquele país. E em 1931, a Coca Cola realizou uma campanha publicitária agressiva, destacando o mito, outra vez com aquelas cores, que também são as do seu rótulo. Imagem que foi difundida pelo mundo e consolidou-se. 
Assim foi sendo construída a atual imagem do “bom velhinho”, que se transformou no mito perfeito para estimular as compras de produtos para as trocas de presentes na véspera do Natal. Na mente da maioria das pessoas, o símbolo do Natal é tão somente o Papai Noel, com seu saco enorme de presentes, ou seja, de produtos fornecidos pelo mercado.
            O comportamento consumista das multidões é acompanhado da frieza, no que se refere à espiritualidade, a uma lembrança, mesmo que tênue, do Nazareno que nasceu em um pobre estábulo, por falta de hospitalidade. E olhe que, segundo os Evangelhos e as doutrinas das religiões cristãs, Ele veio ao mundo com a missão magnânima de libertar a humanidade dos males capitais: o orgulho, o egoísmo, a vaidade e a falta de esperança.
O consumismo e a indiferença são facilmente observados nos dias que antecedem o 25 de dezembro e na maior parte das reuniões familiares para a famosa ceia do Natal - evento social onde não pode faltar peru assado, panetone, queijos finos, frutas cristalizadas, regados a vinho e a decalitros de cerveja e refrigerante. Muita comilança, bebedeira, troca de presentes, som alto, bate papos e frivolidades. Nenhuma oração, nenhuma leitura do Evangelho alusiva à data, nenhuma reflexão sobre a importância do ideal cristão. Se alguém com mais sensibilidade propõe algo assim, é logo rechaçado pelos mais “brincalhões” com palavras infelizes e de mau gosto, do tipo: “Lugar de reza é na igreja!”; “Tá virando beata, fulana ??”; “Eu vim aqui foi pra beber e comer!”.
Que pena que a maioria não perceba o quanto um ambiente social muda (para melhor) durante e após uma prece coletiva. O panetone tem gosto do Pão da Vida, o vinho tem a doçura e o frescor do solvido nas bodas de Caná, as frutas têm a suculência dos figos e tâmaras da Galiléia, os abraços são calorosos como os do cenáculo natural das margens do Tiberíades. A alegria é mais amena, sincera e verdadeira. 
No entanto, é perdida uma oportunidade de aprender e refletir sobre o verdadeiro sentido da vida, a melhor e mais bela forma de se relacionar com os outros, o real destino de cada um de nós para além da vida física.
            Jesus, de fato, trousse o maior, o mais belo e o mais profundo tratado existencial, moral e espiritual da história. Ele ensinou e viveu o que pregou, conquistou seguidores inumeráveis com Suas palavras arrebatadoras e o Seu exemplo incomparável. 
E não é para menos, somente para lembrar e refletir, eis algumas delas: Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados de filhos de Deus (Mateus 5:9); Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados (Mateus 5:6); Vinde a mim todos vós que sofreis e que estais sobrecarregados e eu vos aliviarei (Mateus 11:28); [Citando o profeta Isaías] Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim (Mateus 15:8); Ai do mundo por causa dos escândalos, porque é necessário que venha escândalos, mas ai do homem por quem o escândalo venha (Mateus 18:7); Se vosso irmão pecou contra vós, ide lhe exibir sua falta em particular, entre vós e ele; se ele vos escutar, tereis ganho o vosso irmão (Mateus 18:15); [...] ide antes reconciliar-vos com o vosso irmão, e depois voltai para fazer vossa oferenda (Mateus 5:24); Por que vedes um argueiro no olho do vosso irmão, vós que não vedes uma trave no vosso olho? (Mateus 7:3); Amará o Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma e de todo o seu espírito [...]. Amareis vosso próximo como a vós mesmos (Mateus 22:37 e 39); Amai os vossos inimigos, fazei o bem àqueles que vos odeiam e orai por aqueles que vos perseguem e vos caluniam (Mateus 5:44); [...] que a vossa mão esquerda não saiba o que dar a vossa mão direita (Mateus, 6:3); Entrai pela porta estreita, porque a porta da perdição é larga, e o caminho que a ela conduz é espaçoso, e há muitos que por ela entram. Como a porta da vida é pequena! Como o caminho que a ela conduz é estreito! E como há poucos que a encontram! (Mateus 7:13-14); Todo aquele que pratica, pois, ouve estas palavras que eu digo e as pratica será comparado a um homem sábio que construiu sua casa sobre a rocha (Mateus 7:24);  Os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos, porque há muitos chamados e poucos os escolhidos (Mateus 20:16); Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés vos permitiu devolver (se separar das) vossas mulheres (Mateus 19:8); [...] não há nada de secreto que não deva ser descoberto, nem nada de oculto que não deva ser conhecido [...] (Lucas 8:17); Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, eu me envergonharei também dele [...] (Lucas 9:26); Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porque todo aquele que pede recebe, quem procura acha, e se abrirá àquele que bater à porta (Mateus 7:7); [...] não junteis tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes os corroem, onde os ladrões os desenterram e roubam; mas formai tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem os vermes os corroem; porque onde está o vosso tesouro, aí também está o vosso coração. [...] Procurai, pois, primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo. Por isso, não estejais inquietos pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã, cuidará de si mesmo. (Mateus 6:19-34). Dai de graça o que de graça recebeste (Mateus 10, 8); Qualquer que pertença à verdade escuta a minha voz (João 18:37).
Ensinamentos simples e profundos, que se opõem drasticamente à mesquinhez do individualismo, à insensatez e à corrida desenfreada pelas vantagens e conquistas pessoais. Que revelam a necessidade urgente do despertar para uma nova cultura mental, na qual prevaleça a solidariedade, a justiça, a paz, a confiança em Deus e a compreensão ampla do verdadeiro sentido da vida. O Natal é uma ótima oportunidade para este começo.
As legiões invisíveis do Cristo já estão trabalhando para dissiparem as trevas, confundirem os orgulhosos e glorificarem os justos.
Que Aquele que vive e reina para sempre, em Espírito e Verdade, lhe abençoe agora e para sempre. Feliz Natal.    
(*) Professor de História da rede pública estadual (SEED) e da rede pública municipal (SEMED\PMA).

sábado, 17 de dezembro de 2011

O que é Educação Ambiental

Antônio Wanderley de Melo Corrêa
Concepções e conceitos
Para que ocorra a Educação Ambiental - EA é necessário conhecer as concepções de Meio Ambiente das pessoas envolvidas na atividade.
Existe confusão entre os conceitos de Ecologia e Meio Ambiente. Ecologia é a ciência que estuda as relações entre os seres vivos e o seu ambiente físico e natural. O ecólogo é o estudioso e o ecologista é o militante político. Meio Ambiente é um local determinado onde estão as relações dinâmicas e em constante interação os aspectos naturais e sociais, gerando transformações na natureza e na sociedade.

Características básicas
A grande causa do problema ambiental é o consumo excessivo de recursos naturais por uma pequena parcela da humanidade e no desperdício e produção de artigos inúteis e nefastos à qualidade de vida.
O que deve ser priorizado são as relações econômicas e culturais entre a humanidade e a natureza e entre os humanos.
A necessidade da EA enquanto educação política: torna o cidadão reflexivo, ativo e muda seu comportamento cotidiano. Ele/a passa a exigir justiça social, cidadania planetária, autogestão e ética nas relações sociais e com a natureza. Ele/a questiona as opções políticas e culturais atuais. Somente apóia o crescimento econômico que não seja nocivo ao ser humano e ao planeta.
A EA é necessariamente criativa, inovadora e crítica, impregnada da utopia de mudar radicalmente as relações entre a humanidade e a natureza.
A EA contribui para o “pensar no global e o agir no local”: Incentiva o individuo a participar ativamente da resolução dos problemas no seu contexto específico. É o cidadão do mundo atuando em sua comunidade.
A EA por si só não resolverá os complexos problemas ambientais planetários, mas influi decisivamente para isso. O pensamento global e a ação no local provocam mudanças no sistema (sem resultados imediatos e visíveis). O problema ambiental foi criado pela humanidade e é dela que virá a solução.
Onde e quando
A EA deve estar presente em todos os espaços que educam o/a cidadão/ã: escolas (em todas as disciplinas, com criatividade, enfatizando o ambiente onde o aluno vive e estudando in loco), universidades (formação de profissionais), reservas e parques ecológicos (preservar e pesquisar fauna e flora), sindicatos (condições de trabalho, insalubridade e segurança), associações comunitárias (problemas ambientais cotidianos), meios de comunicação social (conscientização da população). Em cada um desses contextos tem características, especificidades e interesses.
Não há limite de idade para o estudante, porque tem um caráter de educação permanente e dinâmica. Seu conteúdo e metodologia são variados, adequados às faixas etárias dos educandos.

Objetivos
            Segunda a Carta de Belgrado (1975), os objetivos da EA são seis:
1.    Conscientização – Sobre o meio ambiente global e os problemas conexos e de se mostrarem sensíveis aos mesmos;
2.    Conhecimento – Adquirir compreensão essencial do meio ambiente global, os problemas ligados a ele e a responsabilidade de cada um;
3.    Comportamento – Adquirir interesse profundo pelo meio ambiente e a vontade de contribuir para a sua proteção e qualidade;  
4.    Competência – Buscar adquirir meios técnicos com a ajuda de especialistas e conhecedores do problema;
5.    Capacidade de Avaliação – Avaliar medidas relacionadas ao meio ambiente, decifrando a linguagem dos projetos de risco ambiental;
6.    Participação – Necessidade de ação imediata para a solução dos problemas, participar na construção da cidadania.

Conteúdos
            São vários os conteúdos da EA, tais como: saneamento básico, extinção de espécies, poluição em geral, destruição da vegetação, biodiversidade, efeito estufa, reciclagem (de lixo, de resíduos industriais, de óleo), energia e combustíveis (poluentes e não poluentes), comportamento ambientalmente correto, etc.
            Os conteúdos e conceitos científicos da Biologia e da Geografia devem estar relacionados com os problemas ambientais gerais e cotidianos.

Metodologia
            Muitos são os métodos possíveis para a realização da EA: aulas expositivas bem preparadas e bem dadas, deixando espaço para questionamentos; induzir os estudantes a fazerem observações, pesquisas e experiências; induzir o grupo a agir na solução do problema através da criação de clubes ecológicos, produção de jornais, mutirões de limpeza ou de plantio de árvores, mobilizações da comunidade e passeatas; estudos interdisciplinares sobre o mesmo tema, com as contribuições específicas de cada disciplina, proporcionando intercâmbio de experiências entre educadores e educandos; excursões pedagógicas a reservas, bairros, empresas, paisagens urbanas e naturais, levantando os problemas ambientais,  contados através de apresentações artísticas, lúdicas e com o uso de meios de comunicação (filmes, fotos, blogs, jornais impressos, cartazes, murais).
            Um método não anula o outro, pelo contrário, esses e outros se completam.  

Avaliação
            O processo de avaliação depende dos objetivos da prática educativa. A avaliação serve para identificar o conhecimento adquirido.
            Se a EA fundamenta-se na mudança da mentalidade, comportamento e valores, a avaliação deve ajudar a identificar os problemas ambientais e como solucioná-los. Assim, avaliar é estimular a reflexão, o diálogo e a auto-avaliação, a partir do conhecimento científico e as relações sociais e culturais da comunidade onde se vive.
O “pensar global e agir no local” é o mote da avaliação da EA: os problemas da humanidade estão acima dos interesses individuais; atitudes e comportamentos necessitam serem revistos, tendo em vista uma nova noção de responsabilidade com o planeta e com a comunidade.

Fonte: REIGOTA, Marcos. O que é Educação Ambiental. 4ª Ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 2006.