sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A escola e o gosto pela leitura*



Antônio Wanderley de Melo Corrêa**


A escrita alfabética teve sua origem há aproximadamente 5500 anos. Entretanto, ainda hoje, na maioria dos países do hemisfério sul, incluso o Brasil, muitas centenas de milhões de pessoas não dominam a leitura e a escrita.
            De acordo com o Artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos promulgada pela ONU em 10 de dezembro de 1948: “Todo homem tem o direito [...] de receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentes de fronteiras”.
            A Constituição do Estado de Sergipe afirma que é dever do Estado “garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes de cultura” (Art. 225, Pa. IV).
Assim, é concedido ao cidadão, seja local ou planetário, o direito de dominar a codificação da palavra escrita como “ferramenta para compreender o mundo”. Portanto, trabalhar e lutar contra o analfabetismo constitui-se em práticas cidadãs.
            Os avanços implementados pelo Estado e pela sociedade brasileira, no que se refere à diminuição das taxas de analfabetismo, são inegáveis. Mesmo assim, os números das estatísticas ainda são motivos de vergonha nacional. Números que não levam em conta os chamados analfabetos funcionais, aqueles que lêem e escrevem, mas não conseguem entender o texto lido e não transformam o que pensam em escrita.
            Em nosso país é voz corrente que o brasileiro não gosta de ler. Paradoxalmente aqui se encontra o segundo maior parque gráfico da América. Guardando a relatividade da primeira afirmativa, a mesma possui fundo de verdade.
            Observando o passado colonial, imperial e das primeiras décadas da república, a Terra Brasilis constituía-se em verdadeiras sociedades de analfabetos, em proporções equivalentes às sociedades européias medievais.
            Mas o que teria gerado o contragosto, a ojeriza do nosso povo pela palavra impressa, além de fatores históricos? As telinhas eletrônicas com suas mensagens e informações superficiais, apresentadas no ritmo de 300 km por hora, estimulando a preguiça mental coletiva? Os preços das publicações, incompatíveis com o nível de renda da maioria da população? A falta de tempo gerada pelo ritmo alucinante da vida urbana contemporânea? A escola, que não estimula o suficiente ou corretamente as nossas crianças e jovens ao hábito saudável da busca do entretenimento, da informação e do conhecimento através do texto impresso?  A falta de incentivo e de exemplo no ambiente familiar? Perguntas para a reflexão.
            Por motivos óbvios, a escola é um espaço por excelência para o desenvolvimento do gosto pela leitura e pela escrita, embora não seja a única responsável por tão grandiosa tarefa.
            Neste sentido, muitos educadores vêm realizando experiências com resultados excelentes. Conseguiram romper com o exclusivismo do livro didático e do romance, enquanto leituras do processo de ensino\aprendizagem. O princípio básico dessas experiências é o respeito aos múltiplos gostos e interesses dos estudantes, sejam crianças e adolescentes ou jovens e adultos.
            Crianças na fase da alfabetização são apresentadas aos livros infantis; jovens de famílias com acentuada cultura religiosa são estimulados a lerem obras compatíveis com suas crenças; adolescentes românticos/as são induzidos/as a apreciarem poesias e contos do gênero; jovens extrovertidos se identificam com o cordel ou com livretos de anedotas; os aventureiros folheiam revistas em quadrinhos e livros de ficção científica; os desportistas são induzidos a mergulharem os narizes nas revistas e cadernos de jornais especializados em esportes; garotas que realizam atividades domésticas consultam livros de receitas de culinária; alunos que participam de cursos profissionalizantes buscam utilidade em fascículos técnicos. E assim por diante.
            Utilizando como base os diversos gêneros e temas de textos impressos, os educadores incentivam seus alunos a produzirem seus próprios textos baseados nas experiências das leituras, como meio de fixarem na mente e democratizarem as experiências pessoais para os demais colegas, além de ampliarem a capacidade de escrever.
            As redações podem ser lidas na sala de aula, motivando a desinibição no falar em público e a prática da leitura fluente.
            Outro recurso que ajuda a instigar estudantes ao gosto pela leitura é a criação de murais que se constituirão em espaços democráticos, contemplando os seus diversos interesses e motivações, contendo as mais diversas temáticas, levando em conta o contexto social e cultural da comunidade na qual a escola se insere. A garotada expõe, em secções específicas, seus trabalhos escolares; recortes de matérias de jornais e revistas, seguidos de comentários próprios; poemas e recadinhos; protestos e sugestões, entre tantas outras contribuições. O mural é um espaço interativo, de estímulo constante na busca do conhecimento através das práticas da leitura e da escrita. 
            A promoção de feiras de leitura na escola é outra atividade recomendável, quando ocorrem trocas de livros e impressos das mais variadas formas e gêneros. São ainda organizados concursos de redações, contos, poesias e outros escritos. Eventos como esses movimentam positivamente a escola, eletrizando a estudantada e animando os professores.
            O maior volume e aprofundamento do conhecimento encontram-se no texto impresso, nos livros. Quem possui o hábito da leitura, raciocina mais rápido, tem mais conhecimentos, idéias e criatividade, adquire riqueza vocabular e fala com mais elegância, escreve com mais fluência, enfim, se torna mais inteligente. Portanto, os educadores não devem medir esforços no sentido de estimular as novas gerações a irem adquirindo o gosto pela leitura e pela escrita.
Ler é descobrir universos, desvendar segredos da existência, aprender a história que a vida não para de escrever.

*Artigo publicado no Jornal da Cidade de 01 ago. 2002. Cad. B, pg. 06. Revisado em 10 out. 2010.  
** Licenciado em História pela UFS e professor das redes públicas estadual (SEED) e municipal (SEMED/PMA)
  

sábado, 12 de novembro de 2011

Os saberes do professor de História*

Antônio Wanderley de Melo Corrêa**

                         É excitante e ingrata a condição de professor de História, e ambas as sensações ocorrem pela infinidade de conhecimentos e conteúdos que se tem que dominar e transmitir, não somente históricos de muitos grupos humanos e povos em todos os tempos, mas também de outras ciências afins ou “auxiliares” da História. Acrescentando-se a isso, o conhecimento de teorias e práticas antigas e atuais no campo da Didática e da Pedagogia. Tamanho desafio acabrunha e/ou estimula o professor de História.
            Lembra Paulo Freire: “Nada que experimentei em minha atividade docente deve necessariamente repetir-se” [FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 15ª Ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. p. 55], aludindo à necessidade constante de auto-aperfeiçoamento, reflexão e evolução das práticas educativas do professor, levando em conta a permanente transformação da realidade e as consequentes novas demandas e desafios da educação.
             O estudo é, ou deveria ser, atividade inerente ao educador, afinal não há ensino sem pesquisa. “O que há de pesquisador no professor não é uma qualidade [...]. Fazem parte da natureza da prática educativa docente a indagação, a busca, a pesquisa”. [FREIRE: 1998: p. 32].
            Existem muitos casos de professores de História que se encontram desatualizados, ou seja, mal informados ou repetitivos. Consequência do avanço constante da ciência histórica e da falta de estudo permanente. Mas estudar o quê? Já que “tudo é História”? Devem existir critérios de seleção no que se refere ao pesquisar, o que é fundamental e mais interessante para o professor e seus alunos.
            O conhecimento é como o universo, infinito e em constante expansão, mesmo em se tratando de uma área específica e compreendendo o conhecimento histórico como o mínimo de que realmente aconteceu.
            Além dos conhecimentos fundamentais sobre os grupos e povos do passado, de suas criações e transformações políticas, sociais, econômicas, culturais (artísticas, gráficas, de costumes, religiosas e tecnológicas). É imprescindível o professor de História adquirir conhecimentos geográficos e dominar, com desenvoltura, a leitura cartográfica enquanto fatores indispensáveis para a compreensão geopolítica do processo histórico e para situar seus alunos no “palco da História”, localizando e identificando as peculiaridades físico-ambientais das áreas ocupadas pelos povos ao longo do tempo.
            O conhecimento adquirido pelo profissional de ensino da História durante a sua vida acadêmica não é o bastante. Este é ponto de partida, logo, é imperioso o esforço de o mesmo se manter informado sobre novas descobertas de fontes históricas e de publicações recentes de sínteses  históricas (pesquisas produzidas por historiadores), acompanhar, na medida do possível, o desenvolvimento das ciências afins, a saber: Arqueologia, Antropologia, Geografia, Sociologia, entre outras.
            A busca de novos e antigos paradigmas didático-pedagógicos também se faz imensamente necessária à prática educativa. A teoria ilumina o caminho profissional e ajuda a organizar a prática educativa. O professor não ensina por ensinar, mas sim, educa para algum objetivo político-ideológico, tendo consciência disso ou não. O professor não forma autômatos, e sim ajuda pessoas na busca de serem livres e felizes. Daí a importância da escolha de uma fundamentação teórica e metodológica para a sua prática de educador e de estudioso do conhecimento histórico. A opção teórica do profissional da educação deve levar em conta a realidade social e psicológica de seus alunos, pois é muito difícil educar pessoas sem a compreensão de como elas pensam e em que pensam, quais são as suas atuais tendências mentais e comportamentais. Novas demandas que implicam novos desafios, que por sua vez implicam na busca de novos conhecimentos e estratégicas didático-pedagógicas.
            O professor de História (e das outras áreas do conhecimento) não pode perder de vista o domínio de novas tecnologias, a exemplo da informática. Como é sabido, o computador vem se tornando ferramenta indispensável tanto para o ensino como para a pesquisa. Sem sair de casa ou da escola, o professor pode adquirir informações transmitidas de universidades, bibliotecas, museus e arquivos nacionais e internacionais. Ter acesso a sítios com hipertextos, bibliografias, documentos. [Sobre o assunto ver: FIGEUIREDEO, Luciano R. História e Informática: O Uso do Computador. In: CARDOSO, Ciro Flamarion e VAINFAS, Ronaldo (orgs.). Domínios da História: Ensaios de Teoria e Metodologia. 5ª Ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997. P. 419 – 439]. Criar blogs, participar de redes sociais com seus afins, além do uso trivial para a produção de textos, avaliações, fichas, cartazes, planejamento, etc.
            Como foi exposto, a gama e o volume de conhecimentos que o professor de História deve dominar é enorme. O tempo que o profissional da educação dispõe é diminuto devido à sobrecarga de trabalho à qual é submetido, como meio de compensar os péssimos salários da profissão do magistério. E cada um faz o que quer ou pode com o seu tempo. Muitas vezes é uma questão de escolha. Quem procura tempo encontra tempo. Os que buscam o conhecimento conhecem; quem busca o novo se renova.
            A autoridade do professor é baseada na sua competência: “autoridade exercida com indiscutível sabedoria, “[...] a incompetência desqualifica a autoridade do professor” [FREIRE; 1996: p. 102-103], que não pode ser baseada no autoritarismo ou na improvisação precária.
            A competência do professor, enquanto construção permanente baseia-se na sua formação técnica ou acadêmica, na empiria de ano após ano de trabalho educativo, na pesquisa individual ou em eventos coletivos de aperfeiçoamento, no compromisso ético de educar desaguando no prazer da descoberta, no sentimento confortável do dever cumprido dentro de suas limitações, quando não as superando. No orgulho de enfrentar e vencer desafios e na humildade de saber que nada sabe, afinal tudo está para ser conhecido e compreendido. Dezenas de anos de trabalho a fio não são mais que um dia.

 (*) Fonte: Jornal Cinform. Aracaju, 06 a 12 jun. 2005. P. 04. Revisado em set. de 2011.
 (**) Licenciado em História pela UFS e professor da SEED e da SEMED/PMA.

sábado, 5 de novembro de 2011

Livros de cordel e cordelistas sergipanos

A produção literária em livretos de cordel é rica em Sergipe. Em várias feiras do interior e no Mercado Central A de Aracaju existem poetas populares vendendo suas obras.
Originalmente esses livretos mediam 16x11 cm, tinha dimensões de livros de bolso. A grande maioria das capas trazia um desenho, o título e o nome do autor impressos em xilogravura. Todas as páginas são numeradas e variam de 8, 16 e 32. As composições são também variadas: sextilhas, sétimas, oitavas e décimas. O que realmente importa é a rima, mesmo o poeta usando falsos ditongos como sílaba única. A composição rítmica de uma história é a mesma do começo ao fim.
As temáticas da literatura de cordel são extremamente amplas e variadas: o cangaço, a política, o amor, o crime, fatos sobrenaturais, fantasias, valentia.
Na atualidade, os livretos são produzidos em gráficas, ocorrendo transformações nos seus projetos gráficos (formato, tipo de papel, cores, confecção da capa). Além disso, existe uma maior diversificação das temáticas: educação, formação política, biografias de personalidades, avanços científicos e tecnológicos, esportes, acontecimentos contemporâneos, entre outros.
Alguns dos mais conhecidos cordelistas de Sergipe são: Pedro Alves da Silva, Manoel de Almeida Filho, José Marins dos Santos, Severino Milanez, José Pacheco, Manoel Serafim, João José Silva, João Ferreira da Silva, Zezé de Boquim, Gilmar Santana, Severino José, Ronaldo Dórea Dantas, João Firmino Cabral, Zé Antônio dos Santos, entre outros.

sábado, 29 de outubro de 2011

A Lei 10.639/03 uma atitude de coragem!



Marcos Vinicius Melo dos Anjos[1]

Pensar o Brasil sem pensar na diversidade que esse país possui, é no mínimo estar fora de sintonia com o processo histórico de importância impar nesses 500 anos. Sabemos que durante esse processo, muitas injustiças e distorções sociais foram cometidas. Fazer de conta que essa diversidade foi construída com da força bruta usada na mão-de-obra dos carnavais e alguns aspectos culturais, sem conhecer a amplitude da força étnica dos povos que constituíram o nosso país, reforça a idéia de que tudo neste país acaba em festa.

Entender diversidade e multiculturalismo passa necessariamente pelo estudo e compreensão da importância dos grupos étnicos que, de forma decisiva, construíram nossa história. Entendemos que a formação do nosso povo, teve a participação decisiva do povo negro, que em muitos momentos da história, não teve o devido respeito e valoração, passaram por tortura física e psicológica, fato que, infelizmente por muito tempo foi olhado por “vistas grossas”.

O Brasil, historicamente falando, foi palco evidente de uma das características do sistema capitalista: a desigualdade econômica. É comum nas aulas de história ou geografia brasileira, ouvir o professor abordar sobre o sistema colonial que, serviu de justificativa para introduzir a escravidão como ferramenta na produção. Inicialmente os colonizadores usaram o poder de controle e de guerra contra os nativos brasileiros. Dando origem a uma série de guerras, conseqüentemente com inúmeras mortes dos índios alem da implantação das missões jesuíticas.

Como a pratica adotada contra os nativos, não garantiu efetivamente Mão-de-obra para suas lavouras, foi utilizado outro recurso não menos esdrúxulo, a escravização de uma etnia. Como os portugueses da época em questão, mantinham relações comerciais na costa africana, influenciaram a manutenção das guerras tribais e promovendo o lucro no trafico de seres humanos. Portanto, muitos africanos, foram trazidos na condição de escravos para servir de força de trabalho aos colonizadores do Brasil.

A luta de resistência a essa situação absurda na história foi constante com fugas, formação de quilombos, ate mesmo fazendo controle de natalidade. Fato é que elementos da cultura africana foram perpetuados, possibilitando assim a manutenção de uma cultura rica em vários aspectos. Embora durante toda a história do povo negro no Brasil a discriminação e o preconceito sempre estivem presentes. É inegável que as oportunidades e possibilidade de igualdade para a etnia africana e seus descendentes sempre foram mínimos. Promovendo um desequilíbrio social, econômico, religioso que chegaram ate os nossos dias.

Desde a década de 1950, movimentos populares em defesa da igualdade para o povo negro no Brasil, tomaram força. Em vários seguimentos sociais a presença do negro tornou evidente que precisava promover uma política de igualdade etnicorracial que oportunizasse um novo olhar da sociedade para com os negros e afro-descendentes. Um Brasil negro se levantava exigindo uma política de reparação e de igualdade em todas as esferas da sociedade.

A pressão popular, especialmente do movimento negro no Brasil, criou condições para o surgimento de uma legislação que tivesse por intuito, promover uma Educação para as Relações étnicorraciais, que tem como objetivo provocar uma reflexão social sobre o tema e possibilitar uma mudança comportamental. Questões como preconceito e racismo, valoração e reparação foram trazidas para o currículo escolar através da Lei 10.639/03.

Em 2003, o Governo Federal sancionou a Lei 10.639, que determina a inclusão de conteúdos de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana no currículo da educação básica. Essa atitude, de grande coragem e determinação, é de uma dimensão impressionante, desde que aplicada de forma correta. Promover uma reflexão no âmbito escolar, dando o devido valor a etnia negra, é um projeto de mudança de valores e mentalidades, para criar novas gerações verdadeiramente favoráveis a diversidade e um respeito às questões étnico cultural.

A presença da Lei 10.639/03 na sociedade dando ênfase ao viés educacional traz a baila um efervescente debate envolvendo diversos setores da sociedade, a exemplo do Movimento Negro, Ministério Público, Secretarias de Educação até Conselhos de Educação. Dessa forma algumas considerações devem ser feitas a cerca da temática, para que essa Lei, a exemplo de outras não se torne uma “letra morta”. Promover o esclarecimento a sociedade como um todo sobre a existência da mesma torna-se obrigação em primeira instância do Poder Público instituído.

Procuraremos nesse breve artigo promover, de forma equilibrada, algumas considerações sobre a Educação nas Relações etnicorraciais, com o propósito de inquietar sobre ações necessárias e possíveis para a institucionalização da lei 10.639/03.

Sabemos que o primeiro aspecto a considerar é esclarecer o significado da Lei, o que realmente ela propõe para a efetivação da temática. Uma das dúvidas mais freqüentes é com relação à implantação de conteúdos ou disciplina na escola. Para ajudar a dirimir essa questão, a Lei determina a inserção de conteúdos sobre a História e Cultura Afro-Brasileira e Africana preferencialmente nas áreas de Educação Artística (Artes), Literatura e História Brasileira. Mas vale frisar que as demais áreas do conhecimento devem se envolver no processo de institucionalização.

Outrossim, a temática Educação nas Relações etnicorraciais deve perpassar pelas disciplinas, como um olhar de valoração a história, cultura, religiões de matriz africana como elementos de construção da diversidade brasileira. Essa pratica deve incorporar uma abordagem clara e desprovida de conceitos errônea sobre a presença do negro na sociedade brasileira.

No Estado de Sergipe, a questão da Educação nas Relações etnicorraciais, vem sendo discutidas por varias instituições e diversos setores da sociedade civil organizada. Recentemente, foi instituído o Fórum Permanente de Educação e Diversidade Etnicorracial, composto por instituições governamentais e do movimento populares. A proposta de atuação do mesmo é o acompanhamento de ações efetivas que contribuam na construção de uma sociedade livre de preconceitos e discriminação.

 Outro aspecto que pode ajudar na Institucionalização da Lei 10.639/03, é a implantação do Programa de Ações Afirmativas (P.A.F.), pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), depois de um amplo debate capitaneado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro (NEAB). Uma das ações do P.A.F. foi garantir o ingresso aos cursos de graduação através do sistema de cotas, que determina que 50% das vagas estejam reservadas para estudantes oriundos das Redes Públicas. Dentro desse percentual, 70% se destinam as pessoas que se declararem negros ou afrodescendentes.

A institucionalização do sistema de cotas, por parte da UFS, com certeza desencadeara uma forma de diferenciada de abordar as questões de Educação nas Relações Etnicorraciais nas escolas. Questões sobre o que é ser negro em um país de uma diversidade impar, porém que, ainda demonstra traços de preconceito e discriminação racial. Debates sobre oportunidades iguais para todos, ou sobre a importância de se reconhecer como negro ou Afro-descente, possibilitam a um pensar mais inclusivo.

Segundo Abdias Nascimento “as feridas da discriminação racial se exibem ao mais superficial olhar sobre a realidade do país”, pensando dessa forma em todos os espaços de relações sociais, de forma sutil ou extremamente evidente, podemos observar ações que refletem a necessidade de abordar as Relações Etnicorraciais como forma de buscar uma convivência harmônica e dando a todos as mesmas oportunidades.

Outrossim, a Escola como instituição regida por programas e orientações governamentais, não escapa de um olhar mais apurado. Sendo a Lei 10.639/03, uma determinação governamental, nada mais lógico que esse mesmo governo busque alternativas para a efetiva institucionalização da mesma, ate como forma de dar exemplo para todas as outras esferas educativas. O Governo Federal através do Ministério da Educação (MEC) e da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECAD), vêm promovendo em todo o país ações concretas na implementação a lei acima citada.
A Secretaria da Educação do Estado de Sergipe (SEED), através do Núcleo da Educação, da Diversidade e Cidadania (NEDIC), possui ações voltadas para os professores em suas Diretorias Regionais de Educação (DREs), essas se efetivam com a realização de fóruns, encontros pedagógicos e acompanhamento de projetos escolares que contemplam a diversidade na promoção da educação para as relações etnicorraciais nas unidades de ensino. Em tempo, a SEED, através do NEDIC, publicou o livro “As Relações Étnico-Raciais: História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Educação Básica de Sergipe”. Trata-se de um manual que alem de conter a legislação sobre a aplicabilidade da lei 10.639/03, conta com artigos sobre a temática, sugestões metodológicas para os docentes como também indicações de livros, filmes, sites e musicas para o trabalho sem ala de aula.

Sabemos dos aspectos positivos que as ações que vem sendo desenvolvidas, seja pelo poder público ou pela sociedade civil, estão contribuindo para a promoção da igualdade etnicorracial através da Lei 10.639/03. Devemos salientar que estamos tratando de uma mudança comportamental, uma mudança no olhar para um contexto social com suas singularidades e diversidade.

Entendemos então que a Lei 10.639/03 é uma atitude de coragem, em um país que todos se declaram não racistas, mas que admitem que o racismo exista em varias formas e níveis.  Devemos entendê-la então, como um compromisso social, um compromisso moral. Onde a reparação e as oportunidades estejam presentes no dia a dia. Buscar a convivência sem preconceitos e discriminações, e um dever de todos que por mais que uns não percebam todos nós, com poucas exceções, somos Afro-decendentes.

Essas mudanças se efetivada de forma correta estarão contribuindo na construção um país mais justo, que ofereça a todos a igualdade que a constituição assegura. Dessa forma teremos a valoração à diversidade brasileira, que é impar no mundo, nos fazendo orgulhosos de vivermos em um país igual e justo para todos que aqui habita.  


[1] Licenciado em História pela UFS, professor da Rede Estadual da Educação, desempenhando trabalho de Técnico no Núcleo de Educação, da Diversidade e Cidadania, professor da Faculdade São Luis de França e co-autor dos livros: História de Sergipe para Vestibulares e Outros Concursos, Sergipe Nossa Geografia, Sergipe Nossa História, Sergipe Sociedade e Cultura e Sergipe Nosso Estado.  

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

NOVEMBRO NEGRO 2011

Educação, Cultura, Arte e Direitos Humanos, de 07 de novembro a 15 de Dezembro.

Participe do 5º Seminário Educação, Cultura, Arte e Direitos Humanos e do
3º Seminário Educação para as Relações Étnico-Raciais na Faculdade São Luís de França.



































Confira programação e faça sua inscrição no site:  www.fslf.com.br

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O livro didático “Sergipe Nosso Estado”


Edições Sergipecultura é uma equipe de professores que produzem livros didáticos e paradidáticos específicos sobre Sergipe nas áreas de História, Geografia/Meio Ambiente e Cultura desde 2002.
Agora, em outubro de 2011, estamos lançando mais um título: “Sergipe Nosso Estado”, para o ensino fundamental. O sucessor de “Sergipe Nossa História” e “Sergipe Nossa Geografia” publicados entre 2005 e 2011.
Os textos desses livros foram revisados, atualizados e ampliados, além de terem sido acrescentados conteúdos sobre os aspectos mais significativos sobre a cultura sergipana.
Sergipe Nosso Estado” - SNE contém 40 capítulos: 18 sobre a História de Sergipe distribuídos em quatro Unidades; 13 sobre a Geografia de Sergipe em quatro Unidades e nove sobre a Cultura sergipana na última unidade. O livro tem dimensões 27,5cm x 20,5cm, 220 páginas com brochura espiralada e miolo colorido.
Ao final de cada capítulo existe a secção “Fazendo e Aprendendo” com atividades práticas procurando estimular o raciocínio, a criatividade e a busca do conhecimento.
Nosso livro é fundamentado em uma bibliografia sólida de aproximadamente 250 Referências que há anos vem sendo estudada exaustivamente.
            Os autores são sergipanos, profissionais das disciplinas citadas, com uma média de 25 anos de experiência na área da educação nas redes públicas e particular.
            Os objetivos de SNE são: cumprir a Constituição do Estado de Sergipe (Art. 215, VIII Princípio da Educação) transmitir informações específicas sobre o local, contribuir para o fortalecimento do sentimento da sergipanidade/pertencimento e contemplar as leis 10.639/2003 e 11.645/2008 que tornam obrigatório o estudo da História e da Cultura Afro-Brasileira e Indígena, respectivamente.
A distribuição de SNE para as livrarias e papelarias acontecerá a partir da segunda semana de novembro. Garantimos que não faltará exemplares nos estabelecimentos comerciais citados, em virtude do livro ser impresso em Aracaju por uma editora (Infographic’s Gráfica e Editora) com serviços gráficos de alto padrão de qualidade, agilidade e profissionalismo. Além de termos contato direto e aproximação com as livrarias/papelarias de Aracaju e dos centros regionais do interior sergipano.
Por fim, informamos que em 2012 Edições Sergipecultura lançará os primeiros títulos da Coleção “Meu Papagaio” de livros paradidáticos infantis, como sempre, com temáticas e/ou ambientação locais.

Realizando Excursões Pedagógicas*




Antônio Wanderley de Melo Corrêa**

            Quando um professor decide realizar uma excursão pedagógica a um museu, cidade histórica, reserva ecológica, zoológico, exposição, empresa, entre outros, é importante realizar um pequeno projeto que contenha objetivos, público alvo, recursos humanos e materiais, programação, metodologia e avaliação. O projeto expõe com clareza para o próprio professor e para as outras pessoas direta e indiretamente envolvidas - alunos, pais, coordenador pedagógico, diretores - o que, como e porque aquela atividade vai acontecer.
            O evento deve ser articulado por meio de contatos com pessoas-referências do local a ser visitado mediante ofícios e contatos pessoais e/ou telefônicos. Tudo com antecedência de, no mínimo, uma semana.
            Na comunicação para a comunidade escolar, além de reuniões com a coordenação pedagógica e com a direção, são recomendáveis a produção e distribuição de um folder que contenha informações básicas e úteis: data, horário, local e objetivos da atividade, além de uma ficha para a assinatura dos pais ou responsáveis de cada estudante, autorizando a participação de cada aluno, em se tratando de menores de idade. Nessas informações prévias, é importante incluir o material que cada aluno deverá ou não levar. Por exemplo: máquina fotográfica/filmadora, caderno ou caderneta de campo, lanche, dinheiro para refeições, entre outros.
            É fundamental que os alunos saibam, com antecedência, a maneira pela qual serão avaliados ao participarem da excursão.
            No dia do evento, os professores os alunos e o transporte deverão estar no local determinado para a saída, na escola de preferência, trinta minutos antes do horário previsto. Esse “rigor” evita atrasos que podem comprometer seriamente o evento.
            Mesmo quando o local a ser visitado contar com a presença de um guia, é interessante que os professores conheçam previamente o local para obter informações sobre o mesmo. Ou mesmo pesquisar na internet, para, no momento oportuno poder dar informações complementares às do guia. Saber também o itinerário, o tempo de translado para programar a duração da visita.
            Neste gênero de atividade educativa, não é recomendável conduzir grande quantidade de estudantes. Caso não seja possível limitar a excursão a uma turma, se faz necessário ao professor que organizou o evento, pedir a ajuda de outros colegas que ministram disciplinas afins para conduzir a estudantada.
            Durante a atividade é fundamental a manutenção da disciplina, afinal todos estão em aula (de campo), participando de atividade educativa. Portanto, dispersões, correrias e comilanças fora de hora devem ser evitadas através de advertências prévias.
            Os educadores devem estimular os alunos a ficarem de olhos e ouvidos atentos e anotarem perguntas quando surgirem dúvidas ou curiosidades. É necessário convencê-los a não entrarem na paranóia do “anotar tudo”. Porque tal atitude é ingrata e impraticável e cria ansiedade, confusão e frustração.
            Durante o percurso de ida e de volta, bem como no intervalo para o lanche, os professores podem estimular expressões lúdicas, a exemplo de cantar músicas, fazer dinâmicas de grupo e outras brincadeiras saudáveis, contribuído para uma maior sociabilidade e confirmando afetividades.
            Após a excursão, os professores podem avaliar os estudantes participantes aplicando questionário com perguntas do tipo: Quais eram suas expectativas? O que mais lhe agradou e chamou a sua atenção? Exponha os conhecimentos que você adquiriu. Faça suas críticas e dê suas sugestões.
             Os alunos podem ainda serem avaliados por meio de atividades em grupo para debates, construções de maquete, ou murais que contendo fotos legendadas, mapas, textos, cartazes. Esses últimos a serem expostos para toda a escola. Eles ficarão orgulhosos e confiantes.
            Um relatório por escrito sobre a excursão e entregue à coordenação pedagógica e à direção, registra a atividade para a memória da escola e demonstra objetividade e fortalece o profissionalismo dos/as professores/as envolvidos/as.

(*) Este artigo foi publicado pelo Jornal da Cidade em 23 nov. 1999. Caderno B. pg. 06 e revisado pelo autor em out. 2010.
(**) Licenciado em História pela UFS e professor das redes públicas estadual (SEED) e municipal (SEMED/PMA).